Infraestrutura e Inteligência de Jogo:
Elementos para garantir o sucesso dos clubes
O que é o futebol? Um jogo pautado por 17 regras? Uma prática lúdica que envolve alguns fundamentos como chute, passes, desarme e dribles? Uma atividade competitiva que exige técnica, mas também força, velocidade e resistência? Um esporte que requer estratégia e inteligência coletiva? Ou, enfim, um espetáculo admirado por milhões e milhões de pessoas no mundo todo?
Na verdade, o futebol é tudo isso e muito mais. Afinal como manifestação da nossa imaginação e criatividade, esta modalidade esportiva envolve toda a complexidade que caracteriza a existência humana. É, portanto, ciência e arte ao mesmo tempo.
Assim é que para decifrá-lo não basta conhecer profundamente princípios de biomecânica, fisiologia, lógica, estatística, técnica ou tática. Se tem alguma coisa que o futebol não é, é ser uma ciência exata, embora muitos ainda insistam em tratá-lo assim, principalmente os cartesianos de plantão.
Para entendê-lo precisamos recorrer também aos conhecimentos que nos chegam através das ciências humanas e sociais, tais como a psicologia, a sociologia, a filosofia e a história.
Mas tudo isso também não basta. O futebol é, entre tantas outras coisas, arte. Dentro de todas as representações destinadas ao público (artes cênicas) podemos incluir o teatro, a dança, o circo, a música e, indiscutivelmente o esporte, entendido aqui como uma destacada manifestação da cultura humana. E a arte, não podemos nos esquecer, muitas vezes, tem mais a ver com o que é bonito ou estético do que com o que é prático e objetivo. Neste sentido há uma dose de conflito entre a arte e a ciência que cria certa tensão quando se busca resultados no futebol.
É dentro deste contexto que procuro entender o esporte de alto rendimento, particularmente o futebol profissional.
Tenho buscado ao longo de minha carreira de quase 40 anos trabalhando em clubes de futebol no Brasil e no exterior, uma síntese daquilo que poderíamos chamar de “pilares para se alcançar o alto rendimento” nesta mágica modalidade esportiva. Na busca desta síntese tenho me deparado, como toda experiência de vida, com sucessos e, de vez em quando, fracassos. Infelizmente a velocidade dos avanços da ciência e tecnologia não é a mesma em termos de avanços na cultura, educação e valores humanos.
Mas nesta caminhada algo tem se tornado cada vez mais claro: para se obter sucesso sustentável (sucesso aqui entendido como a capacidade de se montar equipes altamente competitivas e que não se limitam apenas às conquistas episódicas ou esporádicas) um clube deve estar apoiado em dois aspectos fundamentais ou pilares: infraestrutura e inteligência de jogo. O primeiro funcionando como pano de fundo do espetáculo que se desenvolve, com todas as suas variáveis, dentro de campo.
Evidentemente tudo deve começar com muita sinergia entre as dimensões políticas, administrativas e técnicas do clube. Dirigentes, funcionários, comissões técnicas e atletas, em um primeiro plano, devem estar focados e afinados em relação às metas a serem atingidas.
Nesta perspectiva a infraestrutura compreende as “condições externas” do trabalho, tais como estádio e centro de treinamento adequados, equipamentos modernos e funcionais, gestão profissional, especialistas de diferentes áreas (técnico-tática, fisiológica, nutricional, médica, psicossocial etc.) capazes de trabalhar de forma integrada (interdisciplinar), entre outros fatores.
Já a inteligência de jogo é a expressão final das “condições internas” do trabalho. Ela envolve qualidades técnicas, liderança, capacitação, educação, controle/inteligência emocional, coesão de grupo e, sobretudo, capacidade da equipe para resolver problemas nas diferentes, imprevisíveis e complexas situações e circunstâncias durante uma partida, um torneio ou um campeonato.
Neste binômio, parece-me, estão concentrados os mais importantes desafios para que um clube de futebol se torne grande e, de fato, forte. Penso que é nesta direção que deve ser investido todos os esforços.
Sabemos que a vitória jamais será garantida; aliás, paradoxalmente muitas vezes quanto mais se acredita nisso, mais riscos se corre. E está aí um dos maiores ingredientes do encantamento que este esporte causa nas pessoas. Mas com toda a certeza, a média dos resultados positivos será consequência de como se lida com estes dois conjuntos de fatores.
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Oi pessoal… e em especial ao Medina.
Leio sobre isso desde sempre. E mais uma vez digo… estamos lidando com crenças antigas de dúvidas e insucessos sendo transferidos para o futuro. CARO MEDINA e caros colegas e amigos,, a maior inovação da humanidade está no fato de podermos pensar sobre as mesmas coisas de perpectivas diferentes… novos pontos de vista. A roda já existe, mas eu posso ver a roda como sendo alguma coisa além disso, não é mesmo? A grande sacada no esporte, e isso o MEDINA busca desde de muito tempo, penso ser a seguinte: utilizar uma comunicação empática sistêmica para entrar nos sistemas de crenças das pessoas.
OU ESTAREMOS a cada jogo procurando entender os altos e baixos de um atleta… e vendo um treinador que sabe de técnicas e táticas, mas entende pouco sobre a mente de seus ateltas. SEGUE AQUI uma proposta… TREINADOR GESTOR DE PESSOAS…. e proponho humildemente um novo modelo profissional no futebol… O CONSULTOR E ORIENTADOR DE EXCELÊNCIA E PERFORMANCE INTEGRAL.
Lembrando sempre… que apenas proponho.
MEDINA… teu caminho é muito bonito… conte comigo sempre!
Caro Ademir: O que nos dá alento é perceber que já começa (é bem verdade que de forma muito embrionária) um movimento para se enxergar o próprio treinador como alguém que deve ser mais do que o profissional que define o modelo de jogo de sua equipe e escala o time. Outro dia, em uma conversa com o Mano Menezes, ele próprio afirmou que precisa se preparar mais para ser um “gestor de pessoas” do que um “treinador”, propriamente dito. Acredito que teremos um salto na qualidade de gestão de uma equipe de futebol, quando o treinador deixar de ser apenas um “técnico” para ser um verdadeiro “gestor de pessoas”. Neste sentido vejo que a sua sugestão de termos um “Consultor e Orientador de Excelência e Performance Integral” funcionaria mais como um trabalho de “Coaching” ao treinador, do que um trabalho através da intervenção direta com os atletas. Há muitos treinadores precisando e alguns até procurando este tipo de profissional (Coach para Treinadores). Tenho a convicção que isto alavancaria o padrão de qualidade do futebol, de forma geral. Sem depreciar o valor das intervenções técnicas (tática, técnica, física) necessárias ao atleta, seria possível enxergar o atleta dentro de todas as suas dimensões humanas (biológicas, fisiológicas, culturais, sociais, emocionais, psíquicas, espirituais). Abs. / Medina
Prof° Medina.
Parabéns pelo trabalho! É com muito orgulho que falo para meus amigos que tive o previlégio de trabalhar um pouquinho ao seu lado no S.C.Internacional, ainda moro no Japão.
Grande abraço
Cilene Ribeiro
O futebol é o esporte mais imprevisível do mundo. Históricamente jogadores renomados juntos não formam bons times, coisas estranhas acontecem como, por exemplo, depois de grandes fracassos vitórias estrondosas. Já vivi esta situação e o inverso também é verdadeiro, costumo dizer que um bom time além de toda ciência empregada tem que ter alma.
Olá Prof. Medina,
Também compartilho da sua visão de futebol e também acho que o “resultismo” acaba confirmando a cultura dominante do nosso país no aspecto futebolístico. Contudo, nos exemplos citados por Ernesto Guedes, apenas o Flamengo venceu uma competição de pontos corridos, o que é para mim, o modelo de disputa que mais privilegia o planejamento de cada clube. Acho que nesta década nós daremos um grande avanço no nosso futebol, tanto no plano tático quanto fora de campo. É esperar para ver e estarmos preparados para passar pelos espinhos.
Um Grande Abraço,
Medina:
Não é novidade que compartilho contigo a visão a respeito do futebol.
Surpreendente (para alguns) talvez seja continuarmos defendendo cada vez com mais convicção nosso ponto de vista.
Cada momento e experiência que temos e tivemos juntos só confirma e enriquece a certeza de que há muito a ser feito. E de que fazemos a nossa parte.
O Ernesto tem razão a respeito dos espinhos.
Mas sem eles (os espinhos) não teria a mesma graça. E o caminho seria tão fácil que já teria sido trilhado.
Grande Abraço,
Fernando Miranda
Medina, sei do teu trabalho e competência, mas estas num país que tudo que podemos criar ou organizar, teremos sempre muitas dificuldades. Pois não acredito que a ciência desportiva e seus avanços, possam prevalecer com a mentalidade futebolistica de nosso futebol. Flamengo vence o Brasileiro, Botafogo o Estadual, Novo hamburgo vence aqui no Rio Grande do Sul…
Portanto estamos diante de clubes que nada fizeram para serem “vencedores”. Nem planejamento e muito menos estruturas de clube têm. São Paulo perde para o Palmeiras. Infelizmente no futebol brasileiro, quanto mais improviso e falta de cultura e organização melhor.
Não há espaço suficiente para podermos analisar o país sem cultura tática e estrategica. Isso sem falar da ética e cultura analítica de nossa imprensa em geral, já que são eles que determinam como nossos “dirigentes” deverão agir e comportar-se diante dos fatos e resultados de campo. Pois se até um intelectual dos mais brilhantes do Brasil caiu no lugar comum dos dirigentes do passado,que podemos esperar dos demais que não cultuam nem seu próprio nome. Apesar de tudo penso que podemos avançar, mas saiba que o caminho é só de espinhos e tens que fazer valer com muita determinação e vontade.
Abraços, Ernesto Guedes.