Multidisciplinaridade, Interdisciplinaridade e Transdisciplinaridade no Futebol

Reflexões sobre a integração de conhecimentos na prática do futebol

João Paulo S. Medina

Sempre ouvi dizer que o futebol é coisa simples, regras fáceis de entender, movimentos naturais etc. etc. Os defensores dessa ideia justificam até que, por causa dessa simplicidade, ele causa tanto encantamento nas pessoas. Sob determinado ângulo pode ser! De minha parte, prefiro incluir o fenômeno futebol, dentro de todas as suas nuances, no mesmo grau de complexidade que nos permite entender e interpretar a natureza humana. Se compreender seus processos fosse tão simples, como afirmam alguns, o ser humano não estaria levando milênios para entender a si mesmo.

(Medina)

Conhecimento no futebol: para quê?

A resposta a esta questão pareceria óbvia, não fosse a tendência ainda dominante (hegemônica) de se defender a ideia que futebol é “uma coisa muito simples”, dando a impressão de que quanto mais conhecimentos trouxermos em torno desse fenômeno esportivo, mais distantes ficamos dos resultados práticos.

Analisemos como exemplo, a polêmica, no meu modo de ver, estéril que se vem travando, ao longo das últimas décadas, a respeito da importância ou não da psicologia no futebol. É bem verdade que às vezes os próprios psicólogos dificultam as coisas, apresentando conceitos rígidos ou fragmentados que pouco ou nada têm a ver com a realidade prática do futebol. De qualquer forma, o fato de estarmos ainda questionando a importância da psicologia para o desenvolvimento do atleta, mostra o nosso estágio atual de não valorização do conhecimento mais elaborado como forma de evolução.

É bem verdade que há conhecimentos e conhecimentos. Ou seja, há vários tipos de conhecimento para ser considerados nestas reflexões.

Há o conhecimento empírico, popular ou vulgar, que se caracteriza pela forma comum (de senso comum), espontânea e direta que temos de entender o mundo que nos cerca. Trata-se de um conhecimento que, por estar baseado na tradição, em aparências, em experiências causais, superficiais e até ingênuas, não raro nos leva a erros em nossas deduções e prognósticos.

Há, por outro lado, o conhecimento científico, mais elaborado, que busca ir além da visão empírica e que procura conhecer a realidade, através de suas causas e leis. O próprio conhecimento científico vem evoluindo nos últimos séculos, partindo-se de uma visão que via (às vezes, ainda vê) a ciência como um sistema de proposições rigorosamente demonstradas, demonstráveis, imutáveis e objetivas, para um processo contínuo de construção e compreensão da realidade, onde não existe nada pronto e definitivo, buscando-se constantemente explicações e soluções e a permanente reavaliação dos seus resultados.

E há ainda os conhecimentos filosóficos e teológicos que buscam cada qual ao seu modo, explicações que escapam das percepções empíricas e científicas, mas que procuram, via de regra, compreender a vida e, em especial, dar sentido a existência humana.

Infelizmente a visão tecnicista, de grande influência nos meios científico, cultural e pedagógico, embora tenha permitido o progresso das diferentes áreas do saber, rapidamente começa a chegar a seu ponto de saturação.

A visão especialista, enquanto instrumento de observação e pesquisa, e que permitiu tantos bons resultados práticos e, portanto, tanto sucesso alcançou na última metade do século 20, vai nos deixando cada vez mais distantes da melhor compreensão global dos fenômenos. Em outras palavras, não podemos mais continuar utilizando-nos exclusivamente do paradigma do conhecimento especializado, particular e, portanto, fragmentado, para entendermos a realidade que nos cerca. A especialização, entendida de forma isolada e desconectada de suas relações com o mundo, a natureza e o homem, da forma mais ampla possível, já não faz o menor sentido.

No futebol, além da fragmentação advinda de perspectivas tecnicistas e especialistas, de uma forma geral, ainda predomina certa abordagem, que adota alguns princípios científicos de forma estática, absoluta, como se esses princípios fossem verdades eternas e imutáveis, misturados com bastante empirismo (conhecimentos empíricos), que vem dificultando novos saltos de progresso na prática desta modalidade esportiva de grande influência nas sociedades contemporâneas.

Para que o futebol brasileiro avance e continue ocupando um lugar de vanguarda, em termos de resultados, expressão cultural e, particularmente, como forma de entretenimento e espetáculo, propomos mudanças significativas na forma pela qual ele ainda é praticado, gestado, concebido e administrado.

 

Estamos perdendo a noção do todo. A simples soma dos saberes especializados já não nos conduz mais, com facilidade, aos resultados almejados. Não queremos negar a especialização, mas é preciso muito mais do que isso. Precisamos urgentemente de interação, integração, sinergia

(Medina).

 

Novas abordagens e conceitos para o futebol

Ampliando um pouco mais a noção sobre o que significa o conhecimento e de como ele pode contribuir para o desenvolvimento humano e, por extensão, do futebol, vamos refletir um pouco sobre as possibilidades de interação, integração e sinergia entre as distintas disciplinas ou áreas de saber.

Se, como já dissemos, podemos considerar quatro tipos básicos de conhecimento (empírico, científico, filosófico e teológico) para interpretarmos a realidade e nela intervir, por outro lado, temos igualmente quatro formas de abordagem dessa realidade, quando analisamos a capacidade que cada disciplina ou área de saber especializada tem para compreender os fenômenos em toda a sua complexidade. São elas: a disciplinaridade, a multidisciplinaridade, a interdisciplinaridade e a transdisciplinaridade, e que representam, na verdade, quatro modos distintos de produção do conhecimento.

Antes, porém, de entrarmos nos conceitos desses termos, gostaria de fazer algumas considerações preliminares. Até pouco tempo vínhamos nos contentando, sem maiores questionamentos, com as abordagens detalhadas que os diferentes especialistas nos davam sobre os diferentes fenômenos naturais ou humanos, através das diferentes áreas de saber. Aliás, este ainda é um princípio que adotamos em muitas situações pragmáticas. Se tivermos, por exemplo, uma grave lesão no joelho, nossa tendência, caso tenhamos recursos, é a de procurar o melhor especialista existente ou disponível.

Para muitos de nós, não basta um excelente clínico médico (geral) ou mesmo um ótimo especialista que cuida indistintamente de todo tipo de lesão. Tendo condições, gostaríamos de ser assistidos pelo melhor especialista para aquele tipo específico de lesão, seja ela no ligamento cruzado, colateral, menisco, patela etc. Este simples exemplo nos mostra que, em certos aspectos, ainda adotamos, na prática, o paradigma da especialização.

Aos poucos, porém, este modelo vai se mostrando inadequado para as novas exigências e novas realidades que a dinâmica da vida, através de sua história, nos impõe. Não é sem sentido que muitos médicos, para continuarmos no exemplo da Medicina, estão abandonando suas posturas baseadas na especialização sem limites, e buscando formas alternativas de abordagem do ser humano, de sua saúde e de suas doenças. Alguns chegam ao extremo até de abandonar a própria profissão, em busca de novos horizontes profissionais e existenciais.

Embora não existe total uniformidade na conceituação dos termos disciplinaridade, multidisciplinaridade, interdisciplinaridade e transdisciplinaridade, vamos adotar aqui as noções mais prevalentes nos trabalhos realizados por aqueles que estudam estas questões relativas à produção do conhecimento e suas aplicações. Alguns desses nomes são Jean Piaget, Guy Berger, Georges Gusdorf, Erich Jantsch, Guy Palmade, Edgar Morin, Ilya Prigogine e, sobretudo, Basarab Nicolescu.

Disciplinaridade – é a abordagem que agrega o conhecimento especializado de uma disciplina ou ramo da ciência. Refere-se, portanto, a um conjunto específico de conhecimentos, com características e métodos próprios, sem relações aparentes com outras áreas de saber. Cada uma dessas áreas busca a compreensão dos fenômenos ou fatos através de sua leitura de mundo, própria, exclusiva e particular. Antes de desqualificarmos esta abordagem, é bom frisar novamente que foi dentro deste modelo que o conhecimento evoluiu em praticamente todas as áreas de saber durante o século 20. Em especial o conhecimento científico e tecnológico deve muito de sua evolução a este modelo paradigmático, ou seja, a especialização cada vez mais rigorosa e fechada. Este modelo, entretanto, como estamos tentando demonstrar, vem atingindo seu ponto de esgotamento, exigindo-se novas abordagens para a compreensão da realidade.

Multidisciplinaridade ou Pluridisciplinaridade – é a abordagem que faz a justaposição de duas ou mais disciplinas na busca de uma melhor compreensão dos fatos ou fenômenos. Esta aproximação entre as diferentes áreas, entretanto, mantém, em essência, a natureza própria da especificidade de cada uma delas. Isto significa que um assunto pode ser trabalhado em várias disciplinas, mas cada uma delas seguindo seus próprios métodos. Não há uma tentativa de síntese entre as diferentes áreas do conhecimento. Por isso que é muito comum, nas reuniões multidisciplinares, no esporte ou fora dele, a utilização de adágios tais como “Se cada um fizer bem a sua parte, tudo funcionará perfeitamente” ou ainda “Para um bom entendimento entre nós (especialistas em áreas específicas do saber) é preciso que cada um respeite a área do outro” e assim por diante. A multidisciplinaridade é uma primeira manifestação ou reação às limitações do conhecimento disciplinar super especializado (disciplinaridade), mas, como podemos concluir, esta é também uma abordagem que apresenta limitações no sentido de uma compreensão mais ampliada da realidade. E ainda muito utilizada pelas comissões técnicas no futebol que desejam realizar um trabalho em equipe.

Interdisciplinaridade – é a abordagem que busca a interação e a cooperação entre duas ou mais disciplinas. Diferentemente da multidisciplinaridade, existe aqui um fator de coesão entre saberes distintos. Contudo, na prática, às vezes se torna difícil saber se estamos adotando uma postura multidisciplinar ou interdisciplinar. Essas diferenças, em alguns casos, são tênues e sutis. A interação e cooperação entre duas ou mais disciplinas dependem fundamentalmente de atitudes subjetivas dos atores que participam do processo de construção do conhecimento.

Segundo G. Berger, elas podem variar desde a simples comunicação das ideias até a integração mútua dos conceitos diretores da epistemologia (1), da terminologia, da metodologia, dos procedimentos, dos dados e da organização de um conjunto de conhecimentos, da investigação ou do ensino correspondente.

Ainda no terreno prático, o que se observa é que, muitas vezes, um grupo interdisciplinar compõe-se de pessoas que receberam sua formação em diferentes domínios do conhecimento (disciplinas) com seus métodos, conceitos, dados e termos próprios, e, portanto, exige-se um esforço de todos para que possam exercer uma autêntica interdisciplinaridade.

Conforme nos ensina G. Gusdorf, os especialistas das diversas disciplinas devem estar animados de uma vontade comum e de uma boa vontade. Cada qual deve aceitar esforçar-se fora do seu domínio próprio e da sua própria linguagem técnica para aventurar-se num domínio de que não é proprietário exclusivo. A interdisciplinaridade pressupõe abertura de pensamento, curiosidade que se busca além de si mesmo. Este modo de conhecimento (interdisciplinar) é ainda raro nos meios futebolísticos.

Transdisciplinaridade – representa o estágio mais avançado entre os modos de produção do conhecimento. De forma semelhante à interdisciplinaridade, busca compreender o conhecimento como algo além do que é produzido pelas disciplinas, estas que, como sabemos, têm seus objetos, linguagens e métodos próprios. Mas ultrapassa o conceito de interdisciplinaridade na medida em que, além de exigir uma postura e uma atitude de total abertura e respeito à diversidade e a complexidade de todos os fenômenos, reconhece que não há referenciais – culturais, étnicos, científicos, religiosos – privilegiados para julgar como mais corretos ou verdadeiros determinado conjunto de conhecimentos, crenças ou valores.

Também diferentemente da interdisciplinaridade, que procura integrar as distintas linguagens características de cada área do saber, a transdisciplinaridade busca a construção de um único domínio linguístico, capaz de refletir a multidimensionalidade da realidade. Igualmente ao modo de produção do conhecimento interdisciplinar, a transdisciplinaridade exige a cooperação, a coordenação e a sinergia entre as disciplinas, mas fundamentalmente com o objetivo de transcendê-las.

É por isso que dizemos que a transdisciplinaridade aponta para um conhecimento que está ao mesmo tempo entre, através e além de todas as disciplinas. Ela significa o reconhecimento da interdependência de todos os aspectos da realidade. Seu objetivo é a tentativa de compreensão da realidade como um todo e não de fragmento dela, como se propõe cada disciplina. Busca, enfim, a unidade do conhecimento.

É considerado por alguns, como um movimento de reintegração da ciência, da arte e das tradições espirituais em busca de uma compreensão mais ampla da realidade ou do mundo em que vivemos. Para isso é preciso levar em conta todos os aspectos que envolvem esta nossa realidade e nossa existência, dentro de toda a sua complexidade. Levando-se em conta não só os aspectos estritamente objetivos, como também aqueles considerados subjetivos tais como: crenças, religiosidade, espiritualidade, cultura, costumes, tradições, valores, sentimentos, emoções, intuição etc.

Esta abordagem transdisciplinar muda radicalmente a tradicional postura científica que não admite subjetividades em seu espectro de análise da realidade. É, portanto, uma nova maneira de encararmos a realidade, dentro de um novo modelo paradigmático. É uma proposta de abordagem da realidade que, no nosso modo de ver, pode contribuir para mudanças radicais na forma pela qual o futebol é praticado, gestado, concebido e administrado.

“O conhecimento leva o homem a apropriar-se da realidade e, ao mesmo tempo a penetrar nela. Essa posse confere-nos a grande vantagem de nos tornar mais aptos para a ação consciente. A ignorância tolhe as possibilidades de avanço para melhor; mantém-nos prisioneiros das circunstâncias”.
(Eli Matos)

 

Concluindo

Gostaria de fechar este bloco de reflexões, colocando uma questão final para continuarmos pensando sobre o assunto: Se ainda temos enormes dificuldades em exercitar o modo de produção do conhecimento interdisciplinar (ainda tão distantes dos clubes e campos de futebol), o que não dizer da prática da transdisciplinaridade?

Tenho consciência que este é um tema árido e que não interessa muito a uma parcela considerável da comunidade que atua no futebol, principalmente àqueles autodenominados “pragmáticos”. Uma entrevista dada por um dos mais destacados treinadores brasileiros é sintomática daquilo que estamos falando. Preferimos não citar o nome do profissional, pois não se trata de uma questão pessoal, mas fundamentalmente conceitual.

Veja um trecho da entrevista:

Pergunta do Jornalista: Você tem Internet em casa, gosta de mexer no computador?

Resposta do Treinador: Tenho sim, mas não mexo. Aliás, detesto. E faço questão de ser assim. Eu pertenço a uma geração de práticos. Não sou teórico. Não sou internauta, não sou computadorizado, não sou vitaminado. Essa tal modernidade virou praga.

Tem preparador físico que virou catedrático, outros viraram deuses. E ainda tem o fisioterapeuta, o fisiologista. Aqui (no clube onde trabalha-va) não tem nada disso. Meu negócio é dentro do campo. Sou um tipo antigo. E faço questão de sê-lo.

O tema está aberto ao debate. Claro, para quem quiser participar dele. Há aqueles que parecem já ter descoberto todas as verdades que fundamentam suas práticas. Não há mais nada a aprender. Todo o espaço aberto ao aprendizado foi ocupado por certezas definitivas. Há também aqueles que se negam a refletir criticamente sobre seus atos e ações e, por conta desta atitude, deixam de tirar proveito dos ensinamentos advindos tanto da prática quanto da teoria. Para os que pensam assim, infelizmente, este artigo não serve para nada. Aos demais, convido-os ao diálogo.

(1) Epistemologia -Teoria que estuda o conhecimento e a forma como ele é construído

18 Respostas

  1. Renan

    Muito obrigado Mestre Medina.

    Abs.

  2. Olá mestre Medina

    Somos alunos do primeiro ano de Educação Física e fizemos uma
    resenha sobre o seu artigo, sendo de suma importância a sua opinião. deste já Gratos.

    Fabio Macedo e Renan de Souza

    Resenha.

    Multidisciplinaridade, Interdisciplinaridade e transdisciplinaridade no futebol

    Ponderações sobre a união de conhecimentos na prática do futebol

    João Paulo S. Medina

    “Sempre ouvi dizer que o futebol é coisa simples, regras fáceis de entender, movimentos naturais etc. etc. Os defensores dessa idéia justificam até que, por causa dessa simplicidade, ele causa tanto encantamento nas pessoas. Pode ser! Depende do modelo paradigmático que utilizamos para interpretá-lo. De minha parte, prefiro incluir o fenômeno futebol, dentro de todas as suas nuances, no mesmo grau de complexidade que nos permite entender e interpretar a natureza humana. Se compreender seus processos fosse tão simples, como afirmam alguns, o ser humano não estaria levando milênios para entender a si mesmo”.

    Erudição no futebol: para quê?

    Neste artigo Medina contradiz o conceito da sociedade e dos profissionais de influência que são resistentes a mudanças, e vêem o futebol como “como coisa simples”. Manifestando assim a impressão que quanto mais informação mais longe ficamos dos proveitos práticos.

    Mas de maneira flexível ele reconhece que existem diversos conhecimentos:

    Empírico: Trata- se de um conhecimento popular com base no senso comum, que é fundado em experiências causais, pessoais, intuitivas e principalmente superficiais.

    Cientifico: Demonstra por meio de pesquisa a compreensão da realidade, interpretando os fatos de maneira lógica (como realmente são) buscando soluções e a reavaliação dos resultados.

    Filosófico e Teológico: É conhecimentos que procuram dar sentido a existência humana, sendo assim extrapolando os conceitos de conhecimento empírico e cientifico.

    Existem duas visões explícitas no futebol e que são de grande influência: tecnicista e especialista.

    A tecnicista influi nas áreas científicas, culturais e pedagógicas, sendo que a mesma teve sua parcela de contribuição no saber, embora tenha chegado ao seu limite.

    A visão especialista utiliza- se de meios minuciosos e oculares que acarretaram em bons resultados práticos. Mas, no entanto não se pode limitar a realidade criando “departamentalizações”.

    Portanto as características destes pontos de vista são que ambas utilizam princípios científicos como uma única verdade predominante envolvendo o conhecimento empírico.

    Segundo o autor para que o futebol continue progredindo é importante que haja uma atitude de mudança efetiva em quatro aspectos: prático, gestado, concebido e administrado.

    Conceitos e abordagens

    De forma prévia o autor discorda com relação à especialização, onde é citado um exemplo médico para fundamentar a sua crítica.

    Em contra- partida o mestre Medina juntamente com um referencial de autores de renome dentre eles Piaget, conceitua algumas propostas com possibilidades de interação, integração e sinergia, as mesmas são:

    Abordagem Disciplinaridade

    É um conjunto de conhecimentos específicos que caracterizam uma determinada disciplina sem nenhum vínculo com outras áreas.

    Com a modificação da realidade esta abordagem não contempla o contexto real que necessita de uma leitura efetiva e acima da especialização compreendendo o todo.

    Abordagem da Multidisciplinaridade ou Pluridisciplinaridade

    É uma proposta de aproximação da diferentes áreas, sem a homogeneidade e considerando o divisor da cada ramo. Com tudo isso esta proposta não consegue alcançar com eficácia a amplitude da realidade.

    Abordagem da Interdisciplinaridade

    Busca a interação e a cooperação das disciplinas, diferentemente da multidisciplinaridade, pois há uma coesão dos saberes de cada área sem perder as suas características específicas, isto é, na teoria.

    Na prática é difícil saber, ou melhor, diferenciar as duas abordagens, por que a linha que as separa é muito delicada. Porém é raro encontrarmos a interdisciplinaridade nos meios futebolísticos, o próprio autor afirmar em sua vivência teórica- prática, que há uma predominância da multidisciplinaridade.

    Abordagem da Transdisciplinaridade

    A transdisciplinaridade inaugura uma nova cosmo visão na forma de pensar, ensinar, e aprender. O objetivo desta abordagem é a compreensão da realidade de maneira total, é importante ressaltar que esta proposta se direciona a um saber que esta ao mesmo tempo entre, através e além de todas as disciplinas. Buscando dar sentido a vida através de relações entre os diversos saberes.

    Tendo consigo ou de forma inerente que nenhum saber é mais importante que o outro e sim que todos são iguais.

    Com esta cosmo visão propõe uma mudança radical nos quatro pilares do futebol: prática, gestação, concepção e administração.

    Conclusão:

    Com toda esta exposição teórica- prática, João Paulo S. Medina de forma enfática não encerra o cerne do assunto proposto convidando a uma auto- reflexão, quanto às metodologias dos profissionais atuantes e as mudanças necessárias.

    E segundo o autor é evidente os obstáculos metodológicos para exercer a prática da interdisciplinaridade, concluindo com um interrogativo com relação à transdisciplinaridade, que é um modo de produção de conhecimento não examinado tanto quanto a interdisplinaridade.

    • Fábio e Renan:

      Cumprimento-os pelo empenho em fazer uma resenha do meu texto.

      Minha opinião:

      Vocês estão na direção certa, porém sugiro que façam algumas correções e alinhamentos no material. Uma delas é que tudo que extrairem na íntegra do meu texto, coloquem as aspas. Achei também que alguns trechos estão sem sentido para um leitor que não teve contato com o meu texto. Portanto, sugiro que sejam um pouco mais didáticos neste aspecto.

      Penso ser útil entrarem no Google e fazerem uma busca em “O que é uma resenha”. Lá encontrarão algumas dicas bem interessantes para vocês aperfeiçoarem este trabalho acadêmico.

      Abs.

      Medina

  3. Olá Medina,

    Lendo este artigo, sinto apenas vontade de ratificar minha adoração pelo futebol. Suas palavras são pontuais, simplificando tudo aquilo que nós, adoradores do futebol como complexidade, temos como filosofia.
    A transdisciplinaridade vai além da teoria.

    Para mim, cada detalhe é importante.
    Enxergo o futebol com transdisciplinaridade, onde cada setor deverá ter sinergia com o outro setor.
    Onde a psicologia, e seus estágios de aprendizagem, influem na metodologia e logística de treino e jogo. A psicologia amadurece, instrui, forma!
    Onde a formação do atleta é, fundamentalmente, motora, psicológica, fisiológica e social; além de suas complexidades habituais e cotidianas.

    O futebol é uma potência econômica neste país. Não podemos tratá-lo com conhecimentos empíricos ou tecnicistas, muito menos, fechar os olhos para a realidade. Precisamos evoluir!

    • Valeu, Raphael! E parabéns pelo seu interesse permanente em desvendar os mistérios do futebol. Abs. Medina

  4. Valeu, Fábio!

  5. Olá Medina,

    Como já postei em um dos seus artigos, sou estudante de Educação Fisica e para o 2º semestre fizemos uma rezenha pautada neste artigo. Tanto eu como meus colegas de classe ficamos admirados com as informações expostas e o quanto precisamos comprrender a realidade total do futebol.
    O próximo passo do nosso trabalho será uma apresentação a respeito deste artigo, gostaria de sugestões quanto a abordagem deste tema na área da educação.
    Desde já agradeço a atenção e sua disponibilida através do Blog e da Universidade do Futebol.

    Fábio.

    • Prezado Fábio:

      É sempre animador contatar estudantes que buscam conhecimentos como você e seus colegas. O assunto que trata da integração dos conhecimentos (multi, inter e transdisciplinaridade) é apaixonante, embora temos que reconhecer que ainda é pouco estudado na maioria das Universidades brasileiras. Portanto, há que enaltecer o interesse de seu grupo, bem como o estímulo dado pelo professor da disciplina que propôs este tema. Já há muitos trabalhos acadêmicos que tratam deste assunto. Edgar Morin, Humberto Maturana, Francisco Varela, Ilya Prigogine são alguns dos autores mais clássicos. No Brasil, e falando especificamente sobre interdisciplinaridade na educação, recomendo os trabalhos (artigos e livros) da Profa. Ivani Catarina A. Fazenda. Um abraço! Medina

      • Olá Mestre Medina,

        Fiquei muito feliz ao entrar no seu blog e ver as suas considerações quanto ao nosso comentário, estamos lisonjeados ao ter um parecer seu, desde já tenho por grande admiração as suas obras e trabalho como um todo.

        Agradecemos,

        Fábio.

  6. Olá Medina,

    Sou estudante de Educação Física e estou no segundo semestre. Estou consciente e percebo a real relevânicia que de fato preciso construi conhecimentos práticos. Gostaria que me indicasse os seus artigos cientificos para que eu possa estudá-los, não sendo possível mesmo assim desde já agradeço a oportunidade de desfrutar desses conhecimentos que há em seu blog.

    Abraços,

    Fábio.

  7. Olá Mestre!
    Sou um humilde aspirante a técnico de Futebol que busca conhecimento de forma a completar e a melhorar a performance no jogo. Antes de técnico sou um fã da modalidade e durante muito tempo existiu sempre algo que me deixava frustrado, que era os sucessivos maus espiráculos de futebol que via e vejo por esses campeonatos fora. Sempre me perguntava e pergunto por que raio se dedica tanto esforço, meios e recursos (físicos, técnicos e financeiros) e o rendimentos geral das equipes continua sendo medíocre? Encontrei resposta precisamente no pensamento que vai se aflorando actualmente ( Transdisciplinaridade e Interdisciplinaridade). Hoje olho para o jogo e vejo um todo e noto que o que é fraco são os seus processos colectivos, seus vários sistemas e suas ligações intrínsecas. Vejo que o modelo de separar o jogo em partes e estudá-las em vários sub segmentos trouxe as limitações que vejo ao assistir um jogo de Futebol. Digo isto várias vezes e muita gente considera que tacticamente a modalidades pouco ou nada terá a oferecer de novo. O grande desenvolvimento do jogo nos próximos anos irá se dar ao nível da metodologia do treino e aí a Interdisciplinaridade e a Transdisciplinaridade ocupam a vanguarda do treino. Não entender isso é não entender o que se está a passar no momento no futebol.

    • Bruno:

      Obrigado por incluir suas reflexões críticas sobre integração de conhecimentos no meu blog. Costumo comentar com meus amigos que pouquíssimos profissionais ainda atentam para estas questões relacionadas com a complexidade do jogo de futebol e se dão ao trabalho de ler sobre o assunto. Mas felizmente as coisas estão mudando. A visão tradicional, aos poucos, começa a ser substituida por uma visão mais global dos fenômenos que interferem no rendimento esportivo. Abs. / Medina

  8. Caro Medina
    Parabéns pela coluna, adorei suas palavras. Sou em estudioso de novas práticas no ensino e treinamento do futebol e acredito que a forma tecnicista de ensinar o futebol é ultrapassada.
    Gostei muito dessa prática da transdisciplinariedade, da cooperação, coordenação e sinergia entre as disciplinas, mas com o objetivo de transcênde-las. Sábias palavras, caro Medina.
    Acredito que é urgente a necessidade de se transformar a forma de treinar das categorias de base. E tenho certeza que os clubes só ganharão com isso, com atletas mais inteligentes que se adaptam rápido a novos desafios no jogo e que pensam e veem o jogo de uma forma mais ampla.
    E como já fala José Mourinho “aquele que sabe apenas de futebol, de futebol nada sabe”. Os clubes precisam de profissionais que colaborem na formalção de atletas mais inteligentes, mais preparados mentalmente, com uma atitude mental vencedora, com uma formação cultural mais abrangente, mais responsáveis; enfim mais preparados para a vida.
    Desculpe o prolongamento das minhas ideias e, mais uma vez, parabéns pelas suas ideias e palavras. Foram muito inspiradoras, me deram muito mais vontade de continuar estudando e me preparando para ser um técnico de futebol diferenciado.

    Obrigado e abraço

    Luiz Carlos Jr
    Técnico de Futebol
    Sorocaba – SP

    • Valeu, Luiz Carlos!

      Obrigado por seu depoimento!

      O futebol brasileiro (e mundial) precisa de treinadores com nova mentalidade; que sejam capazes de ver e tratar o atleta como um ser humano, dentro de sua totalidade, de sua complexidade. Este é o caminho para conseguirem avançar na sua qualificação profissional.

      Um abraço! // Medina

  9. Olá Medina,

    Gostei mto da sua fala no IV Concoce, aqui em Brasília. Sem radicalidade. Seus relatos transmitem mta serenidade e maturidade. Pra mim foi um momento impar suas reflexões sobre o planejamento para os próximos 10 anos e o respeito aos indivíduos em suas crenças e religião.

    Quanto ao artigo, me chama atenção a falta de preparação e profissionalismo q ainda permeia o futebol. Dinossauros com pensamentos retrógrados continuam nos grandes clubes, transmitindo suas mensagens, por meio da mídia, à milhares de pessoas. E levando em consideração a força formadora e paixão q o esporte suscita, realmente se faz necessário mto debate a respeito do tema.

    Obrigado p compartilhar suas experiências conosco nesse blog. Mto bacana.

    Grande abraço a todos.

    Elderna dos Santos Dias – Unb/Brasília

    • Olá Elderna!

      Fico feliz por você ter gostado da minha fala no IV Concoce-CBCE em Brasília. Realmente acredito que a ternura acompanhada de uma correta compreensão dos nossos limites (dos outros e dos nossos) é sempre o melhor caminho na construção de uma sociedade mais igualitária e solidária.

      Quanto ao seu comentário sobre o futebol também concordo que precisamos muito debate crítico entre outras ações para podermos contrapor ao que vemos hoje. É com este espírito que criamos a plataforma Portal Universidade do Futebol – http://www.universidadedofutebol.com.br – justamente para desempenhar este papel e dar este tipo de contribuição.

      Um grande abraço e até a próxima oportunidade!

      Medina

  10. Olá Medina,

    Adorei o texto. Pensei inicialmente no filme “Óleo de Lorenzo” Ajuda a entedermos muitos conceitos que abordou. Depois fiquei viajando na construção simbólica de algo que se pareça com uma representação de transdisciplinaridade “(…) ao mesmo tempo entre, através e além de todas as disciplinas.” Pensei em um grande mosaico formado por pedaços de conhecimentos específicos (disciplinaridades), porém as imagens que vemos através do mosáico aproxima novamente os conhecimentos. E além de todas as pedras do mosáico vemos formas que para cada um representa algo (subjetividade), novos conhecimento!
    O Muro de Berlim foi muito mais que um muro ( milhares de tijólos). Foram família desgarradas, amores desfeitos, vidas ceifadas.
    Mas como seria este mosáico do/no futebol?
    Abraços Medina e todos os leitores

    Fábio Santana Nunes – UNEB / Jacobina-BA

    • Fábio, gostei de sua “viajada” na construção simbólica capaz de representar a transdisciplinaridade… Penso que o mosáico no futebol não seria muito diferente, uma vez que de certo modo e dentro do modelo que está estruturado ele também produz dores humanas de diversas ordens. Abs. / Medina

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