Reflexões sobre a integração de conhecimentos na prática do futebol
João Paulo S. Medina
Sempre ouvi dizer que o futebol é coisa simples, regras fáceis de entender, movimentos naturais etc. etc. Os defensores dessa ideia justificam até que, por causa dessa simplicidade, ele causa tanto encantamento nas pessoas. Sob determinado ângulo pode ser! De minha parte, prefiro incluir o fenômeno futebol, dentro de todas as suas nuances, no mesmo grau de complexidade que nos permite entender e interpretar a natureza humana. Se compreender seus processos fosse tão simples, como afirmam alguns, o ser humano não estaria levando milênios para entender a si mesmo.
(Medina)
Conhecimento no futebol: para quê?
A resposta a esta questão pareceria óbvia, não fosse a tendência ainda dominante (hegemônica) de se defender a ideia que futebol é “uma coisa muito simples”, dando a impressão de que quanto mais conhecimentos trouxermos em torno desse fenômeno esportivo, mais distantes ficamos dos resultados práticos.
Mano Menezes foi treinador da base do Internacional de Porto Alegre
Fico feliz com a notícia de que Mano Menezes é o novo treinador da Seleção Brasileira. Não deixando de considerar as enormes dificuldades que o novo comandante técnico terá que enfrentar, diante da falta de preocupação efetiva da CBF em contribuir para a estruturação do futebol brasileiro, creio que ele poderá levar um pouco de modernidade ao difícil trabalho a ser realizado.
Conheci o Mano no ano 2000. Nesta época eu era Coordenador Técnico do Departamento de Futebol do S. C. Internacional e tínhamos uma vaga para treinador da equipe juvenil. Buscando modernizar o modelo de contratação de nossos profissionais, anunciamos a vaga após definirmos internamente o perfil de profissional que queríamos. Alguns itens deste perfil incluíam que o candidato fosse formado em educação física, atualizado e atento à evolução do futebol em todos os seus aspectos, tivesse experiência com o trabalho de categorias de base, facilidade de comunicação e, sobretudo tivesse ambição de crescimento e liderança. Leia mais…
A foto tirada na Mostra “Atletas e Ciências” no Museu Olímpico de Lausanne, Suíça (jun.2010), apresentando campeões e recordistas mundiais de diferentes modalidades, demonstra que há lugar para qualquer perfil no mundo do esporte.
Este documento apresenta uma proposta de criação de mecanismos que permitam à sociedade brasileira o exercício pleno da cidadania, através do acompanhamento participativo relativos aos recursos que serão alocados e utilizados na realização dos eventos Copa do Mundo em 2014 e Olimpíadas em 2016, buscando-se garantir legados nas áreas educacionais, culturais e sociais para a população.
1. Introdução
O esporte de uma forma geral e o futebol no caso particular de alguns países como o Brasil podem ser uma poderosa ferramenta de educação, saúde e cultura de um povo. Mas para que isso ocorra é necessário que haja uma intencionalidade clara nesta direção. O esporte por si só não é bom nem ruim. Ao contrário do que entende a visão simplista de senso comum, se mal orientado na verdade pode provocar violência, insegurança, estímulo ao uso de drogas, entre outros malefícios. Muitas vezes, também tem sido utilizado ao longo da história como ferramenta de manipulação político-ideológica e até mesmo de alienação.
Portanto tratar o fenômeno esportivo com consciência e visão estratégica deve fazer parte das manifestações e ações de todos aqueles que pretendem contribuir para o crescimento de um país em desenvolvimento como o Brasil, ainda tão cheio de contradições, conflitos e injustiças sociais.
De maneira colaborativa e participativa, podemos fazer surgir tanto ideias quanto envolvimentos e compromissos na construção de melhor e mais saudável estrutura não só para o nosso esporte, mas, sobretudo para o Brasil de uma forma geral.
Sabemos todos que não vamos mudar a estrutura esportiva brasileira em um passe de mágica. Mas atitudes devem ser tomadas e ações eficazes devem ser colocadas em prática. É preciso, por exemplo, equacionar os problemas administrativos e de gestão das diversas instituições esportivas. E nisto estão envolvidos problemas frequentes vistos no nosso dia a dia, como violência, insegurança, doping, além de problemas na formação de atletas, questões éticas de dirigentes esportivos, falta de transparência, sistemas viciados que não permitem mais democratização nas instituições, entre tantos outros assuntos que extrapolam o próprio âmbito esportivo.
É nesta perspectiva que o PORTAL UNIVERSIDADE DO FUTEBOL® propõe o PROJETO “MOVIMENTO COPA E OLIMPÍADAS CIDADÃS”.
O MOVIMENTO será monitorado por instrumentos que possam medir e avaliar diferentes aspectos de desenvolvimento do país, através de parâmetros específicos das cidades-sede, parâmetros esportivos propriamente ditos e, sobretudo parâmetros gerais possíveis de se avaliar criticamente índices econômicos, sociais, culturais e educacionais (“TERMÔMETROS DA COPA E OLIMPÍADAS CIDADÃS”)) nos anos que antecedem a realização da XX COPA MUNDIAL DE FUTEBOL ((2014) no Brasil e as XXXI OLIMPÍADAS na cidade do Rio de Janeiro (2016).
Acreditamos também que este é um momento adequado para encabeçarmos e estimularmos um processo que auxilie na capacitação e qualificação de profissionais das mais diferentes áreas, e que contribua na conscientização e divulgação de temas que possam trazer mudanças significativas de âmbito esportivo, educacional, cultural e social no Brasil.
OBSERVAÇÃO: Para ver a proposta completa visite a secção “Universidade do Futebol”.
O que é o futebol? Um jogo pautado por 17 regras? Uma prática lúdica que envolve alguns fundamentos como chute, passes, desarme e dribles? Uma atividade competitiva que exige técnica, mas também força, velocidade e resistência? Um esporte que requer estratégia e inteligência coletiva? Ou, enfim, um espetáculo admirado por milhões e milhões de pessoas no mundo todo?
Na verdade, o futebol é tudo isso e muito mais. Afinal como manifestação da nossa imaginação e criatividade, esta modalidade esportiva envolve toda a complexidade que caracteriza a existência humana. É, portanto, ciência e arte ao mesmo tempo.
Assim é que para decifrá-lo não basta conhecer profundamente princípios de biomecânica, fisiologia, lógica, estatística, técnica ou tática. Se tem alguma coisa que o futebol não é, é ser uma ciência exata, embora muitos ainda insistam em tratá-lo assim, principalmente os cartesianos de plantão.
Para entendê-lo precisamos recorrer também aos conhecimentos que nos chegam através das ciências humanas e sociais, tais como a psicologia, a sociologia, a filosofia e a história.
Mas tudo isso também não basta. O futebol é, entre tantas outras coisas, arte. Dentro de todas as representações destinadas ao público (artes cênicas) podemos incluir o teatro, a dança, o circo, a música e, indiscutivelmente o esporte, entendido aqui como uma destacada manifestação da cultura humana. E a arte, não podemos nos esquecer, muitas vezes, tem mais a ver com o que é bonito ou estético do que com o que é prático e objetivo. Neste sentido há uma dose de conflito entre a arte e a ciência que cria certa tensão quando se busca resultados no futebol.
É dentro deste contexto que procuro entender o esporte de alto rendimento, particularmente o futebol profissional.
Tenho buscado ao longo de minha carreira de quase 40 anos trabalhando em clubes de futebol no Brasil e no exterior, uma síntese daquilo que poderíamos chamar de “pilares para se alcançar o alto rendimento” nesta mágica modalidade esportiva. Na busca desta síntese tenho me deparado, como toda experiência de vida, com sucessos e, de vez em quando, fracassos. Infelizmente a velocidade dos avanços da ciência e tecnologia não é a mesma em termos de avanços na cultura, educação e valores humanos.
Mas nesta caminhada algo tem se tornado cada vez mais claro: para se obter sucesso sustentável (sucesso aqui entendido como a capacidade de se montar equipes altamente competitivas e que não se limitam apenas às conquistas episódicas ou esporádicas) um clube deve estar apoiado em dois aspectos fundamentais ou pilares: infraestrutura e inteligência de jogo. O primeiro funcionando como pano de fundo do espetáculo que se desenvolve, com todas as suas variáveis, dentro de campo.
Evidentemente tudo deve começar com muita sinergia entre as dimensões políticas, administrativas e técnicas do clube. Dirigentes, funcionários, comissões técnicas e atletas, em um primeiro plano, devem estar focados e afinados em relação às metas a serem atingidas.
Nesta perspectiva a infraestrutura compreende as “condições externas” do trabalho, tais como estádio e centro de treinamento adequados, equipamentos modernos e funcionais, gestão profissional, especialistas de diferentes áreas (técnico-tática, fisiológica, nutricional, médica, psicossocial etc.) capazes de trabalhar de forma integrada (interdisciplinar), entre outros fatores.
Já a inteligência de jogo é a expressão final das “condições internas” do trabalho. Ela envolve qualidades técnicas, liderança, capacitação, educação, controle/inteligência emocional, coesão de grupo e, sobretudo, capacidade da equipe para resolver problemas nas diferentes, imprevisíveis e complexas situações e circunstâncias durante uma partida, um torneio ou um campeonato.
Neste binômio, parece-me, estão concentrados os mais importantes desafios para que um clube de futebol se torne grande e, de fato, forte. Penso que é nesta direção que deve ser investido todos os esforços.
Sabemos que a vitória jamais será garantida; aliás, paradoxalmente muitas vezes quanto mais se acredita nisso, mais riscos se corre. E está aí um dos maiores ingredientes do encantamento que este esporte causa nas pessoas. Mas com toda a certeza, a média dos resultados positivos será consequência de como se lida com estes dois conjuntos de fatores.
Há aqueles que são contra, outros a favor. Os que se posicionaram ou se posicionam contra alegam, com muita razão, que eventos grandiosos como Copas do Mundo ou Jogos Olímpicos (Pan-Americanos também podem ser incluídos nesta análise) são grandes oportunidades para que políticos, administradores, dirigentes e empresários mal intencionados tenham o caminho livre para vantagens de toda ordem, muitas delas bem questionáveis, se considerarmos as reais necessidades de um país com as características do Brasil.
É evidente que dentro de uma abordagem verdadeiramente humanística deveríamos analisar esta questão sob o prisma de um mundo globalizado com problemas de desenvolvimento em infraestrutura, divisão/distribuição de rendas, cultura, educação, saúde, meio ambiente entre outros que extrapolam uma visão focada apenas em um país.
O fato, entretanto, é que já está decidido e a Copa de 2014, salvo ocorra algo extraordinário, será realizada no Brasil. Por que, então, não aproveitarmos este evento de tamanha repercussão mundial e que mobiliza não só interesses como também paixões, para tirarmos proveito no sentido de transformá-lo em instrumento de construção do nosso próprio desenvolvimento sustentável.
Nesta perspectiva a oportunidade é especial. Como sabemos o futebol pode ser uma poderosa ferramenta de educação, saúde e cultura de um povo. Mas para que isso ocorra é necessário que haja uma intencionalidade clara nesta direção.
O esporte – e o futebol especificamente – por si só não é bom nem ruim. Mas ao contrário da visão simplista de senso comum, se mal orientado pode na verdade significar violência, insegurança, drogas, alienação entre outros malefícios. Pode também, sim, abrir espaços para os mal intencionados ou que só pensam no lucro e vantagens pessoais, sejam quais forem as consequências desta postura.
Portanto tratar este fenômeno esportivo e social com consciência e visão estratégica deve fazer parte das falas e ações de todos aqueles que pretendem contribuir para o crescimento de um país em desenvolvimento como o nosso.
É com este espírito que a Universidade do Futebol (www.universidadedofutebol.com.br) lança a ideia de um movimento nacional em favor da realização deste evento no Brasil, porém com um olhar crítico e propositivo.
Convidamos a comunidade que ama o futebol e também aqueles que mesmo sem ter grande apego a esta modalidade esportiva, mas que acreditam na possibilidade de construirmos um país melhor, a se associarem a este movimento.
De maneira colaborativa e participativa, podemos fazer surgir tanto ideias quanto envolvimentos e compromissos na construção não só de uma melhor e saudável estrutura para o nosso futebol, mas, sobretudo de um Brasil mais desenvolvido e humano.
Os interessados em contribuir com a organização deste movimento Copa de 2014, a Copa Cidadã, previsto para ser apresentado no segundo semestre de 2011,podem entrar em contato com o autor deste blog, através do botão “Comentários” no canto inferior direito deste post, ou então ler o documento completo sobre a proposta na secção “Universidade do Futebol” neste mesmo blog.
A globalização é considerada um fenômeno capitalista que estimula o processo de integração econômica e cultural entre os diferentes povos e países do mundo.
A ideia da aldeia global, introduzida pelo pensador canadense Marshall McLuhan, desde a década de 60 do século passado, já antevia o que estava por vir nas décadas seguintes.
Podemos por distintas razões concordar ou discordar deste processo, mas a verdade é que ele vem provocando mudanças de toda espécie no seio da humanidade.
No esporte e particularmente no futebol a globalização também tem provocado seus efeitos.
Com as facilidades provocadas pela revolução tecnológica, os conhecimentos necessários à busca de altas performances estão progressivamente mais acessíveis a todos os profissionais que trabalham no futebol.
Hoje, com os fantásticos recursos dos meios de comunicação, podemos acompanhar em tempo real os jogos das mais destacadas equipes de futebol do mundo. Quase mais nada é estranho ou desconhecido, ao menos em termos técnicos.
Desta forma a diferença entre o primeiro e o segundo e até entre o primeiro e o último é cada vez menor. Os exemplos acontecem a toda hora para quem quer enxergar.
A questão a ser enfrentada, daqui para frente, talvez seja a necessidade de se compreender melhor a essência humana para além de suas dimensões puramente técnicas.
No esporte, acredito que num futuro próximo, poucas chances terão aqueles que só se preocupam com os seus aspectos técnicos. O sucesso será daqueles que começarem a entender um pouco mais sobre a complexidade humana.
Afinal o atleta é, sobretudo, um ser humano e social. Compreendê-lo significa encontrar novos caminhos para o seu desenvolvimento integral.
Aos poucos a comunidade que trata as questões do futebol, de forma séria e profissional, vai se distanciando do senso comum e entendendo que o jogador talentoso, o craque, o “fora de série” não é mais aquele que apenas reúne algumas habilidades motoras específicas para a prática do esporte.
Até a década de 60 o futebol era baseado essencialmente na técnica e, portanto, aquele que dominava alguns fundamentos tais como drible, chute, passe, cabeceio etc. conseguia se destacar em sua equipe e em relação aos demais jogadores, sem necessitar de outras qualidades.
Passado este período de predomínio da técnica, tivemos uma fase onde a preparação física passou a ocupar, literalmente, quase todos os espaços. O futebol se tornou mais veloz, mais corporal, com disputas físicas mais intensas. A Copa do Mundo da Inglaterra em 1966 foi um marco neste sentido. O mundo do futebol, através de seus especialistas, começou a investir neste fator. Grandes transformações começaram a ocorrer. Os jogos, a certa altura, passaram a ser demasiadamente violentos, tal a importância que se deu ao empenho físico aplicado pelos jogadores.
Já a partir da década de 80 notou-se uma evolução acentuada em relação aos esquemas táticos, as estratégias de jogo. Por consequência os treinadores começaram a ter maior importância no trabalho das equipes. Estes, juntamente com suas comissões técnicas, cada vez mais multidisciplinares, começaram a buscar uma integração dos fatores físicos, técnicos e táticos para conseguirem melhores resultados.
Nesta primeira década do século 21, sem desprezar estes fatores físicos, técnicos e táticos, vivemos um momento onde se destaca a necessidade de cuidadosos planejamentos de curto, médio e longo prazos e, sobretudo, de investimentos na atitude, envolvendo aspectos psicológicos, emocionais e sociais dos atletas. Exige-se que sejam cada vez mais profissionais sem, porém, perderem seu potencial técnico criativo. Este parece ser um dos grandes desafios dos especialistas interdisciplinares nestes tempos atuais.
Os grandes clubes do Brasil e do mundo, que possuem técnicos e profissionais qualificados, estão procurando superar a visão ainda espontânea e empírica de formação do atleta de futebol, substituindo-a por um novo modelo, ainda em construção, apoiado na interdisciplinaridade, entendida aqui como a integração das diversas áreas científicas que dão suporte ao rendimento dos atletas e das equipes, tais como a fisiologia, a nutrição, a psicologia entre outras.
Nesta perspectiva, o entendimento sobre o que seja o talento esportivo começa a sofrer alterações, em relação ao sentido mais tradicional que vínhamos dando a ele. Não podemos mais considerar talentoso o atleta que apenas possui a virtude para realizar alguns movimentos técnico-motores de inegável plasticidade. O verdadeiro craque ou talento, mais do que nunca, passa a ser aquele que é capaz de transformar suas qualidades não só técnicas, mas também físicas, psicológicas, emocionais, espirituais e sociais em resultados práticos em termos de ganho de performance da equipe da qual faz parte.
É comum o futebol ser entendido como um fenômeno que favorece o processo educacional, cultural e de conquista da saúde de um povo. Contrapondo a este entendimento podemos observar também que ele pode ser expressão de todas as mazelas presentes na sociedade.
Este esporte pode ser privilegiado instrumento de educação, mas pode ser também exemplo de mau comportamento. Pode ser expressão de cultura, como pode ser a mais clara representação de violência, agressividade e egoísmo. Pode significar caminho à saúde, como também uma forma de utilização de drogas em busca indiscriminada da alta performance.
O esporte, e em particular o futebol, não é bom nem ruim, por si só. Ele apenas representa aquilo que somos com nossas virtudes e defeitos.
Recentemente temos visto manifestações que comprovam este paradoxo representado pelo futebol. O racismo é um exemplo bem acabado disso.
Seja no Brasil, na Arábia Saudita, ou em países considerados mais desenvolvidos como Espanha, Alemanha e Itália as manifestações racistas são observadas com bastante frequência, mesmo em pleno século 21.
Tais fatos, indiscutivelmente intoleráveis, sempre que visiveis são denunciados pela imprensa, pelo menos nos países mais livres, e provocam reações que permitem reflexões, muitas vezes, bastante instrutivas.
Por outro lado, entretanto, na maioria das vezes estas manifestações racistas são expressas em círculos tão fechados e restritos que não possibilitam o debate, a crítica e o repúdio no sentido de sua superação.
Fica apenas aquele sentimento de impotência e até de certa conivência na medida em que entendemos algumas dessas colocações e atitudes como simples brincadeiras inofensivas e que não devem ser levadas muito a sério.
E uma vez que tais fatos não sejam capazes de provocar indignação, também não poderão provocar qualquer modificação neste estado de coisas.
É comum associarmos o talento de um jogador de futebol quase que exclusivamente à sua habilidade corporal, ou seja, à sua capacidade de executar alguns gestos técnicos, como por exemplo, driblar, chutar, controlar, dominar e passar a bola.
Num sentido mais amplo, entretanto, a habilidade envolve muitos outros aspectos. Segundo Howard Gardner, famoso psicólogo americano, há pelo menos oito tipos de habilidades as quais ele chamou de inteligências múltiplas. São elas: as inteligências lógico-matemática, verbal-lingüística, espacial, musical, corporal-cinestésica, intra e interpessoal, naturalista e existencial.
Daniel Goleman, outro psicólogo americano, completando este rol de habilidades, popularizou os conceitos de inteligência emocional e mais recentemente o conceito de inteligência social.
Portanto quando falamos em habilidades, se pretendemos desvendar um pouco da complexidade humana e em particular entender o atleta, temos que superar algumas simplificações que costumamos fazer no futebol.
Outro componente necessário para que um jogador possa expressar sua competência e suas habilidades é o conhecimento. Conhecer regras, normas e valores que norteiam o futebol, por exemplo, é fundamental para se obter o sucesso.
Mas, como os antigos já nos ensinavam “a coisa principal da vida não é o conhecimento, e sim o uso que fazemos dele”. Isto quer dizer que talvez a mais importante qualidade necessária a um atleta não seja nem suas habilidades e nem seus conhecimentos, mas sim as suas atitudes. Atitude aqui entendida como a predisposição para reagir aos diferentes estímulos de maneira positiva ou negativa.
O atleta ou qualquer pessoa que não tenha atitudes proativas, adequadas e necessárias à superação de seus limites, dificilmente conseguirá projetar e alcançar metas ambiciosas, por mais amplo que sejam seus conhecimentos ou por mais aguçadas que sejam suas habilidades.